Pandemia impulsiona e-commerce e também golpes virtuais

08/06/2021

Especialistas alertam sobre necessidade de cuidado maior de consumidores com novas modalidades de pagamento.

A pandemia de covid-19 e a necessidade de distanciamento social contribuíram para que o faturamento do comércio eletrônico avançasse 41% na comparação entre 2019 e 2020, quando fechou em R$ 87,4 bilhões, segundo levantamento divulgado no fim de março pela plataforma de opinião Ebit/Nielsen.

Se parte dos consumidores migraram das lojas físicas para as virtuais, os golpistas seguiram o movimento e desenvolveram novas formas de enganar os desavisados, com uso de PIX, jogos online e "promoções" em redes como Instagram.

Diante dessa realidade, especialistas acreditam que ferramentas como a Verifact são interessantes, pois permitem o registro de provas de crimes cometidos na web a qualquer hora do dia e da noite.

Houve alta de 53% nas tentativas de golpes em transações no ano passado ante 2019, segundo o "Mapa da Fraude" da empresa de segurança em e-commerce Clearsale. Especialista em direito digital e compliance, Valéria Cheque afirma que cada faixa etária está sujeita a golpes nos meios que mais frequentam. "As pessoas estão ficando mais em casa, trabalhando em home office, com os jovens ficando mais tempo na internet em jogos ou por conta das aulas virtuais, e os criminosos veem isso como oportunidade", diz.

O modo mais comum é o phishing, técnica de engenharia social para obter informações como nome de usuário, senha e detalhes do cartão de crédito por meio de mensagens reais, conta o gerente de segurança de informação da Everis an NTT DATA, Celso Gonzalez Hummel. "A pessoa recebe a promoção ou endereço de um site com uma oferta maravilhosa e cai no golpe, porque o site é falso e ela não vai receber o produto."

Cheque lembra que é comum aparecerem promoções em redes sociais com preços bem mais baixos do que o de mercado para todo o tipo de produtos, de vestuário a eletrodomésticos. Muitas vezes, os golpistas criam sites ou anúncios parecidos aos de grandes redes, com endereços eletrônicos semelhantes. "Muita gente não presta atenção, não pesquisa no site correto e não olha se os dados que constam no pagamento são daquela empresa, que são cuidados básicos na transação."

Muitos lojistas oferecem descontos para pagamento à vista por boleto e o PIX também passou a ser uma opção, já que a transferência do dinheiro ocorre em segundos. Hummel considera as duas formas de pagamento seguras, mas desde que a pessoa tenha certeza de estar pagando para o vendedor correto. "Não adianta prestar atenção se há um cadeado fechado ao lado do endereço eletrônico da loja, se está em https, se tem certificado digital, mas não olhar se o identificador do PIX traz o mesmo nome e CNPJ da loja."

O problema do PIX é que, uma vez feita a transferência, é muito difícil que o dinheiro seja recuperado. Hummel diz que é comum os golpistas usarem dados de laranjas ou mesmo de desconhecidos. Assim que o dinheiro cai na conta de destino, o fraudador o transfere para outros bancos ou faz o saque.

WhatsApp

A advogada afirma que o WhatsApp é uma das ferramentas preferidas de golpistas, por possibilitar acesso a contatos da vítima. Ela cita que é grande o número de pessoas que caem no golpe do "almoço grátis", quando um perfil de restaurante, muitas vezes de Instagram, faz um sorteio ou promoção e pede um código enviado por SMS para confirmar a identidade do ganhador. Nesse caso, o código é usado para habilitar o acesso ao aplicativo de mensagens, usado depois para que o golpista peça dinheiro a conhecidos da vítima.

"As pessoas não prestam atenção e não lêem os alertas que os próprios sites e aplicativos fazem. Tenho um cliente que colocou um som de carro para vender por R$ 3 mil em um desses sites conhecidos para essas transações. Não deu 24 horas e uma pessoa entrou em contato com ele pelo WhatsApp, dizendo que era do site, que o pagamento havia sido feito e que era para despachar", diz. O cliente da advogada enviou o produto e não recebeu. Foi então que percebeu que o regulamento do site alertava que não havia contatos pelo telefone e que era preciso verificar a aprovação do pagamento na conta pessoal dele, na plataforma oficial do site.

Provas

Cheque e Hummel fazem parte da organização sem fins lucrativos Women in Cibersecurity (Womcy, ou Mulheres em Cibersegurança, em tradução do inglês). Eles trabalham com peritos no Brasil e no exterior que buscam reaver perdas de vítimas de golpes virtuais e contribuir para o controle antifraude.

A advogada lembra que o erro mais comum da vítima que cai em um golpe é se assustar perante uma ameaça, ou ficar com vergonha, e apagar conversas e contatos feitos em aplicativos ou redes sociais. O trabalho da equipe da Womcy é justamente assumir a identidade das vítimas nesses contatos para gerar provas e identificar os fraudadores.

Ela sugere que a pessoa sempre denuncie e procure orientação legal especializada em golpes do tipo. "A maioria dos advogados não têm conhecimento sobre como salvar provas e pedem um print de tela, o que os tribunais não aceitam mais. Por isso que ferramentas como a Verifact são interessantes, pela possibilidade da vítima fazer a coleta de provas de maneira correta, assim como a ata notarial de cartório", diz Cheque.

Plataformas como a Verifact permitem o registro de provas de crimes cometidos na web a qualquer hora do dia e da noite, por um preço mais baixo do que o cobrado em cartórios. Por preservar provas digitais de forma confiável com a utilização de técnicas periciais forenses, esses registros são aceitos em tribunais de ao menos cinco estados brasileiros.

Fonte: Migalhas