Impostos travam desenvolvimento de frutas em Mato Grosso
27/08/2014
A alta carga tributária de 12% para a comercialização de frutas para fora de Mato Grosso, falta de capacitação dos pequenos produtores e a inexistência de um centro de revenda (Ceasa) são alguns dos pontos que impedem o crescimento do desenvolvimento de frutas no Estado. Hoje, as principais frutas exportadas pelo Brasil são manga, mamão, melão, abacaxi e uva, que são as com melhor produção em Mato Grosso.
A produção de frutas em Mato Grosso é um dos pontos discutidos pelo XXXIII Congresso Brasileiro de Fruticultura. O tema central do evento é “Fruticultura: Oportunidades e Desafios para o Brasil”. Conforme o presidente do congresso e professor doutor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), João Pedro Valente, cerca de 970 artigos científicos serão apresentados durante o evento, realizado no Centro de Eventos do Pantanal. O congresso teve início no domingo (24) e segue até sexta-feira (29). A ideia de trazer para Mato Grosso, mais em específico Cuiabá, explica João Pedro Valente, é para sensibilizar as autoridades locais para que vejam o potencial que o Estado possui para a produção de frutas também. “O foco são os artigos e temas nacionais, mas é uma oportunidade de as autoridades ouvirem o que pessoas de fora têm a dizer sobre o que vê de Mato Grosso”. Conforme o professor da UFMT e presidente do Congresso Brasileiro de Fruticultura, ao contrário da soja, milho e algodão que evoluíram e do arroz que estabilizou, a produção de frutas em Mato Grosso não avançou em sua exploração. “Não é falta de pesquisas, pois se ela não servir para o nosso Estado servirá para outro. São vários os pontos que impedem o avanço da fruticultura em Mato Grosso. Tecnicamente a produção é viável, mas para se tornar rentável é preciso um maior número de consumidores, o que não temos. Ao contrário da soja, milho e algodão que são exportados”. Outro ponto, que pode ser considerado o maior entrave, é a tributação. Hoje, são cobrados 12% de ICMS na uva e na banana, por exemplo, para levá-las para outro Estado. “Isso inviabiliza a produção, também”, acrescenta o professor. Atualmente, Mato Grosso conta com aproximadamente 148 mil propriedades rurais, sendo que cerca de 100 mil são pequenas propriedades que carecem de uma atividade que viabilize renda. “Falta mão de obra qualificada também. Muitos assentados que vieram da cidade não possuem tradição de cultivo. O Estado precisa investir em técnicos e estruturar a Empaer. Precisamos de uma central de abastecimento (Ceasa) para manter o equilíbrio da comercialização”, salienta João Pedro Valente. O XXIII Congresso Brasileiro de Fruticultura segue até domingo em Cuiabá. A programação conta com conferências com pesquisadores nacionais e internacionais, minicursos, palestras, visitas técnicas e apresentações de trabalhos científicos. Durante o evento será realizada a entrega do Prêmio Jovem Cientista em Fruticultura.Fonte: Cenário MT