Mais de 95% da população não se sente representada pelos políticos

02/02/2018

A insatisfação da população brasileira com a atual classe política foi amplamente expressa em uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira (2) pelo Instituto Locomotiva/Ideia Big Data. De acordo com o estudo, 96% dos eleitores não se sentem representados pelos políticos em exercício no País.

Para 94% dos entrevistados, os políticos estão mais preocupados em se manter no poder do que governar o País. Ao mesmo tempo, 78% dizem que não votariam em um político que esteja exercendo mandato parlamentar na atualidade.

O levantamento aponta também que 89% dos brasileiros dizem acreditar que os representantes eleitos não pensam na população para tomar decisões e que eles não se preparam para desempenhar bem seus mandatos.

O presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, avalia que qualquer cidadão que esteja “minimamente informado” com os acontecimentos políticos nacionais consegue entender o motivo do alto nível de descontentamento da população. 

— Foi criada uma cultura de que os políticos são todos iguais e, quando se cria essa cultura, aumenta a demanda pela renovação da política. [...] Quando a gente tem uma constatação clara de que a demanda é por uma mudança grande na política, a questão que fica é se terá uma oferta para responder a essa demanda.

Renovação política

Segundo a pesquisa, 90% da população brasileira diz que apoiaria um movimento para renovar e melhorar a política no Brasil. Na avaliação de 93% dos entrevistados, é preciso formar novas lideranças políticas para mudar o País.

A percepção de 88% dos consultados é de que deveria haver mais espaço para cidadãos comuns se candidatarem. Outros 74% acreditam que a própria população é quem mais tem condições de promover a renovação na política brasileira.

Apesar da avaliação sobre a necessidade de renovação, 80% da população afirma que nunca pensou em se candidatar para exercer um cargo público.

Na avaliação de Meirelles, o ambiente político atual é propício àqueles candidatos intitulados ‘outsiders’. Ele, no entanto, avalia que há a possibilidade de existirem nomes novos que estejam "preparados para esse processo de mudança”.

— Quando você consegue mostrar que é possível obter um financiamento que permite com que ele se prepare para a eleição e que podem ter uma exposição maior na imprensa, eles começam a achar que é possível essa mudança no cenário.

O estudo encomendado pelo RenovaBR foi realizado com 1.500 pessoas com mais de 18 anos entre os dias 24 a 28 de janeiro.

Fonte: R7