Presidente do IAB manifesta preocupação com o futuro dos advogados devido à pandemia

17/06/2020

Em evento online, Rita Cortez explicou que, diante de isolamento social, diversos advogados estão se afastando do mercado de trabalho por causa de restrições ao acesso às tecnologias.

“Diante dos sofisticados recursos tecnológicos necessários à participação nas audiências por meio de videoconferências, que estão sendo realizadas em razão do isolamento social imposto pela pandemia, a maioria dos advogados, que não possui escritórios, nem mesmo recursos para investir em computadores e celulares, acabará afastada do mercado de trabalho.”

O alerta foi feito pela presidente nacional do IAB - Instituto dos Advogados Brasileiros, Rita Cortez, nesta terça-feira, 16, em uma live no Instagram, a convite do advogado Marcelo Cruz, ex-presidente da Afat - Associação Fluminense dos Advogados Trabalhistas. O tema da conversa foi “Advocacia – Unidade na Adversidade”.

De acordo com Rita Cortez, as entidades representativas da classe precisam se unir para ajudar a parcela expressiva da advocacia que enfrenta as “adversidades” causadas pelas dificuldades para atuar nos procedimentos virtuais. A advogada trabalhista apontou também os efeitos da nova realidade no atendimento à população.

“A atuação do advogado é fundamental para garantir o acesso à justiça e a prestação jurisdicional, sobretudo às partes, especialmente na área trabalhista, que também não dispõem de recursos para participar de videoconferências.”

Marcelo Cruz disse que o afastamento de advogados da atividade profissional começou com a implantação do Processo Judicial Eletrônico. Ele citou o quadro atual no Rio de Janeiro:

“Hoje, entre 60% e 70% da advocacia fluminense utilizam as salas da OAB em todo o estado para exercer a profissão, por não ter sequer computadores e celulares modernos, muito menos escritórios.”

Além da dificuldade financeira, disse o ex-presidente da Afat, os advogados não dispõem de linhas de crédito para realizar qualquer tipo de investimento.

A presidente nacional do IAB comentou também sobre a situação atual do País: “Não temos políticas públicas, nem sanitária, nem econômica”, criticou. A advogada defendeu a volta dos movimentos sociais.“O Brasil tem um histórico de grandes movimentos, como os que lutaram contra a ditadura militar e defenderam a realização das Diretas Já e da Assembleia Nacional Constituinte”.

A respeito do papel do IAB no contexto atual, Rita Cortez ressaltou que “o Instituto, que foi decisivo para a formação do País e da advocacia brasileira, vem manifestando as suas posições críticas e oferecendo a sua contribuição jurídica para os grandes temas de interesse nacional”.

Fonte: Migalhas - Instituto dos advogados brasileiros